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«SANTISSIMA TRINDADE»
Uma Interpretação Iconográfica
do Dogma Trinitário
«A Ceia de Abrão» (cf. Gênesis 18)
MICHEL FARES BREIDI,
São Paulo, 2003
Curso de Teologia – Unidades Santana
Trabalho de TCC, orientado pelo Professor Frei Osmar Cavaca
Introdução
Esta obra “Interpretação Iconográfica do Dogma Trinitário”, e subtítulo “A Ceia de Abrão”, apresenta um esforço para proferir explicações tentando eliminar muitas dúvidas a respeito da teologia iconográfica. Para isso nada melhor que esclarecer essas dúvidas através da realidade eclesial e das fontes mais tradicionais e antigas da história do Cristianismo como os relatos do Antigo e Novo Testamento e da Patrística, expressando-as de uma maneira nova. Para que isso aconteça escolhi aprofundar e compreender a realidade divina através do ícone da Santíssima Trindade, a obra de Andrei Rublev.
É preciso saber quem foi esse escritor de ícones, sua vida e qual foi a causa de sua motivação, o que é um ícone e quais são os estágios até chegar ao que nos transporta e nos faz refletir no seu conteúdo nos induzindo a encontrar com o seu maior protagonista e autor, Deus.
Perguntam-me: por que o ícone de Rublev?
Escolhi esta obra de Andrei Rublev por ela ser considerada pela Igreja Ortodoxa como a melhor interpretação e forma de compreendermos a nossa fé na Trindade. No ícone de Rublev está expresso resumidamente todo o Mistério da Trindade em expressões que se revelam de forma fácil e didática para a nossa compreensão. Ele interpreta tudo aquilo que foi causa de muita discórdia, dúvidas, estudos e diálogos nos concílios ecumênicos. De uma forma simples, mas sem fazer perder sua magnificência, mostra-nos que aquele Deus Poderoso, que se dirigia por uma voz aos homens nos tempos antigos, hoje nos é apresentado como um Deus pessoal que se manifesta de uma forma sobrenatural no Filho através do Espírito Santo, repleto de Amor Absoluto, Perfeito em três formas sem se dividir nem se misturar seguindo as características da própria revelação que não transmite conhecimento teórico da essência divina, mas nos chama à salvação do mundo e do homem e nos diz: “venha, veja, e crerás”.
No decorrer dessa obra é apresentada uma pequena explicação sobre a teologia do ícone sua espiritualidade e finalidade, quem e como vive o autor do ícone, o significado da arte sacra diferenciando-a da arte contemporânea, e os primeiros ícones desde o período Bizantino.
No segundo capítulo começamos a entrar no tema da obra, que é o ícone desse grande iconógrafo Rublev, recordando e explicando o cenário que foi a causa inspiradora, as características dessa representação como ponto de partida e sua visão histórica até chegarmos ao que ela é hoje.
No terceiro capítulo, que é o núcleo da obra, deciframos toda a simbologia artística e a dogmática que foi inspirada pela teologia iconográfica desde as formas arquitetônicas e geométricas como a cruz, o círculo e o triângulo junto com as cores, os três anjos, que mesmo imóveis na pintura mostram sua ação divina na essência, e o Mistério Trinitário.
Buscando nos basear sempre nas afirmações da Bíblia e nos Santos Padres da Igreja, refletimos sobre a essência trinitária, nas hipóstases divinas, sua ação, sua individualidade e, ao mesmo tempo, sua participação na indivisibilidade, comentando rapidamente sobre a divergência que existe acerca da procedência do Espírito Santo (da questão do Filioque) tentando aproximar, quanto possível, as diferenças existentes entre as igrejas irmãs que são e continuarão a ser o apoio e a sustentação da fé cristã.
O grande desafio dessa obra é tentar proferir explicações teológicas sobre o maior Mistério da fé, a Santíssima Trindade, dentro de uma teologia iconográfica, uma arte sacra não muito conhecida ou divulgada no Brasil. Daí, a dificuldade de encontrar recursos bibliográficos na nossa língua dificultaram ainda mais o trabalho, mas, a cada obstáculo me incentivava ainda mais a prosseguir, já que crescia o interesse de aprender e divulgar mais sobre os assuntos, ícone e Dogma, duas questões que se encontram ao se desenvolver um tema de tão grande importância e significação, pois podemos usá-lo de uma forma didática para melhorar a nossa compreensão e satisfazer as muitas dúvidas que encontramos na prática na fé.
Notas:
[1] André Rublev: Monge Ortodoxo Russo, iconógrafo autor do ícone da Trindade,
Canonizado pela Igreja Ortodoxa Russa em 1988.
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