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14 de Setembro: Festa Universal da Exaltação da Santa, Venerável e Vivificante Cruz
Nenhum dos ritos conhecidos pode disputar ao rito bizantino o lugar especialíssimo que ele reserva à Cruz, seja no calendário litúrgico, seja na literatura eclesiástica criada pelos Padres da Igreja e pelos Hinógrafos sacros, através dos séculos, para cantar e louvar as virtudes, as glórias e o inefável papel da cruz redentora. Todas as quartas e sextas-feiras do ano são dedicadas à santa Cruz. Cantam-se, então, os seguintes tropário e kondakion: Salva, Senhor, teu povo e abençoa a tua herança; Tropário (1° tom) Cristo Deus, que voluntariamente foste levantado na Cruz, Kondakion (4º tom) Essas duas orações são as mais importantes também na celebração do 14 de setembro. No meio da Quaresma temos outra festa dedicada à Cruz . Outras duas comemorações se fazem no dia 12 de agosto e em 7 de maio, porém a festa máxima permanece mesmo a de 14 de setembro, cuja importância é evidenciada pela sua mesma denominação: festa da Universal Exaltação da venerável e vivificante Cruz. Ela é precedida por um dia de vigília e se conclui em 21 de setembro. O próprio das Vésperas começa com estes hinos: A Cruz exaltada convida toda a criação Erguendo os braços para o alto Em muitos outros hinos da festa encontramos profundidade teológica, exultação de louvores, riqueza de referências bíblicas. No final, enquanto os fiéis vão beijar a Cruz, bem ornamentada, exposta sobre o proskinetáríon no meio da igreja, canta-se o hino que segue, indicado nos livros litúrgicos como obra do "imperador Leão" († 912): Vinde, fiéis, adoremos o madeiro vivificante: Vinde, fiéis, adoremos o madeiro Vinde, famílias de todos os povos, Beijando-te agora com reverência, Segue-se o rito, simples, mas com um significado cósmico evidente' no qual o sacerdote faz a "exaltação" da Cruz: eleva-a ao máximo que puder acima de sua cabeça e depois a abaixa até tocar o chão, em direção dos quatro pontos cardeais, pronunciando intenções de preces as quais o povo responde com insistência: Kyrie, eleison, ou Góspodi, pomilui (Senhor, piedade). Conforme prescrevem os livros litúrgicos, essa invocação repete-se 100 vezes para cada uma das 4 direções. Mesmo sendo uma festa do Senhor, é praxe, nas orações bizantinas, lembrar vivamente a Mãe de Deus; eis um breve hino da Ode Nona do Cânon: Tu és, ó Mãe de Deus, o místico jardim Ode Nona do Cânon O dia 14 de setembro, mesmo quando cai num domingo, é celebrado pelo Oriente bizantino com jejum e abstinência por causa da alusão direta à paixão do Salvador. No entanto a hinografia se caracteriza pelo tom de triunfo ao apresentar a Cruz como instrumento de salvação e de vitória sobre os inimigos da Igreja e dos cristãos. Alguns elementos textuais talvez firam a nossa sensibilidade moderna, como também a referência a alguma tradição lendária, mas é preciso imergir na realidade cultural dos fiéis e observar a participação numerosa e atenta às celebrações dessa festa para entender seu valor educativo. A salvação vem da Cruz de Cristo; por isso a Igreja quer que ela seja admirada pelo olhar dos fiéis e meditada no íntimo dos que repetidamente aclamam: Adoramos a tua Cruz, Senhor, Fonte: «O ANO LITÚRGICO BIZANTINO»
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