Queridos irmãos e filhos no Senhor,
o início do novo Ano Eclesiástico, reflitamos outra vez mais sobre a criação de Deus. Olhemos o passado e penitenciemo-nos por tudo o que fizemos ou deixamos de fazer no que diz respeito ao cuidado com a Terra; olhemos para o futuro e peçamos a Deus que nos dê sabedoria e nos guie nossos pensamentos e nossas ações.
Os últimos doze meses foram para o mundo um período de grandes incertezas. Os sistemas econômicos e financeiros, nos quais tantas pessoas confiam os seus bens e sua vida, espalhou incertezas e a pobreza pelo mundo. A economia globalizada fez com que todos - mesmo os mais pobres que estão longe dos negócios das grandes empresas - fossem afetados.
A crise atual nos dá a oportunidade de refletir sobre os problemas de uma maneira diferente, pois se constatou que os responsáveis por esses problemas não podem oferecer sua melhor solução.
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S. Santidade BARTOLOMEU I,
no ato da assinatura desta mensagem |
É necessário introduzir a caridade em todas as nossas relações, o amor, que inspira coragem e compaixão. O progresso humano não se restringe simplesmente em acumular riqueza ou irrefletidamente consumir os recursos da terra.
A maneira com a qual a atual crise foi encarada pelos poucos que comandam nossa sociedade revelou em que valores se baseiam suas ações, visto que são capazes de investir enormes quantidades de dinheiro para salvar a economia, mas que, por outro lado, não estão dispostos a dar um pouco para resolver ou amenizar a situação deplorável em que se encontra a Criação. Justamente por causa do sistema econômico em vigor há tantas vítimas que passam fome, sede, sobretudo crianças, para as quais muitos preferem desviar o olhar a ter de encontrar uma solução e uma resposta. Por que isto acontece? Será um problema da incapacidade humana ou de vontade humana?
O mercado foi colocado como centro de nossos interesses, de nosso trabalho e também de nossa vida, mas esquecemo-nos que esta escolha afeta diretamente nossa existência e as vidas das gerações futuras, o que limitará as possibilidades do bem estar do homem e de toda a Criação. A economia humana nos tornou consumidores e esta economia é falha.
A economia divina que nos fez a imagem do amado Criador, nos convida a amar e a cuidar de toda a criação. A imagem que temos de nós mesmos é refletida na forma como nós tratamos a criação. Se acreditamos que não somos mais do que apenas consumidores, então vamos procurar satisfação no consumo dos bens da terra. Mas, se acreditarmos que somos feitos à imagem de Deus, vamos agir com cuidado e compaixão, e nos esforçar para que retornemos a original imagem e semelhança do Criador.
Peçamos a bênção de Deus sobre as Nações Unidas que, em Copenhague, no mês de dezembro, tratará sobre as mudanças climáticas no mundo; rezemos para que os países industrialmente desenvolvidos possam cooperar com os países em desenvolvimento, reduzindo os efeitos nocivos das emissões de poluentes; peçamos para que surja fundos e medidas necessárias a este respeito, e que todos possamos trabalhar juntos para garantir que nossas crianças desfrutem dos bens da terra que para elas deixaremos.
O amor e a justiça devem alicerçar nossas vidas e serem a causa de nossas ações, mais do que as atividades econômicas.
Renovemos, portanto, nosso compromisso de cooperar mutuamente para realizar mudanças onde possamos rejeitar tudo o que prejudica a Criação, mudando nossa maneira de pensar e de conduzir a nossa vida
Da Sé do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, em 01 de setembro de 2009.
† BARTOLOMEU de Constantinopla, fervoroso intercessor a Cristo por todos vós. |