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  Patriarcado Ecumênico de Constantinopla  
 
 
 
 
 
 

Mensagem de S. S. Bartolomeu I, Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma, e Patriarca Ecumênico, por ocasião do NATAL de 2009

Prot. Nº 1237

† Bartolomeu,
pela Graça de Deus, Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma,
e Patriarca Ecumênico

Que a Graça, a Paz e a Misericórdia de Cristo, o Salvador,
nascido em Belém, estejam com todo o Pleroma da Igreja!

Irmãos concelebrantes e filhos e filhas amados no Senhor,

 

«Este é o dia em que o Céu e a Terra se unem, pois é o nascimento do Cristo. Hoje Deus desceu sobre a terra, e o homem ascendeu aos céus». (Hino do ofício de Natal)

A distância e a oposição entre Deus e o homem, fruto do pecado, foram abolidas quando o Filho Único e Verbo de Deus se revestiu da natureza humana em sua totalidade. A benevolência de Deus e o Seu pleno consentimento foram manifestados pela Encarnação de Seu Filho Divino que eliminou toda a distância entre o céu e a terra e aproximou o Criador de sua criatura.

«Hoje é o prelúdio da benevolência de Deus e a proclamação preliminar da salvação dos homens». Assim cantou a Igreja na Festa da Apresentação da Mãe de Deus no Templo. Na apresentação e consagração de Maria Santíssima a Deus no templo, preparava-se os caminhos para que a Encarnação do Verbo pudesse  nela acontecer, quando tornou-se morada do Altíssimo e anúncio de nossa salvação.

«Hoje é o prelúdio de nossa Salvação e a manifestação do Mistério preparado desde a eternidade: o Filho de Deus torna-se Filho da Virgem!» Assim proclamava a Igreja na Festa da Anunciação. Por obra do Espírito Santo, o Inconcebível se faz semente no ventre sagrado da Virgem, e a concepção foi realizada. Assim, a natureza divina iniciou sua coexistência com a natureza humana, pois «Deus se faz homem para que todos nós nos deifiquemos», conforme expressa Santo Atanásio, o Grande. Portanto, a benevolência de Deus, já manifestada na Apresentação de Maria no templo, e o anúncio de nossa Salvação demonstrada na Anunciação, tornaram-se verdade na noite do Santo Natal.  É o dia em que o «Verbo se fez carne e habitou entre nós», e os anjos festejam no céu cantando: «Glória a Deus nas Alturas, paz na terra e benevolência aos homens!»

Com a Encarnação do Verbo, a Salvação do gênero humano se realiza potencialmente. Aqueles que realmente, crendo em Jesus, levam uma vida sob esta fé, seguindo seus mandamentos e ensinamentos, tornam-se muito próximos de Deus e co-participantes de sua Vida. Tornam-se co-participantes na natureza divina e se deificam pela Graça. Mas isto só se realiza plenamente em comunhão com a Igreja, pois o homem se regenera e renasce para o Cristo e é adotado pelo Pai através do Batismo. Depois, pelos outros Sacramentos e pelos exercícios da virtude, o homem se plenifica, por graça e obra do Espírito Santo, até alcançar o status  de «homem perfeito» e poder dizer como disse São Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo quem vive em mim!». Aqueles que alcançam o nível desta perfeição não são somente amigos de Cristo, mas tornam-se membros de seu próprio Corpo. Por isso, do alto da Cruz, Jesus disse a Sua Mãe, referindo-se a João: «Mulher, eis aí teu filho». E a João, apontando Maria: «Filho, eis aí tua Mãe»!

O Natal, portanto, abre as portas e deixa revelar a transfiguração do homem em Cristo e, por graça, a sua deificação. Por isso, no Natal, neste dia tão solene,  toda a Criação está em festa e o céu se regozija conosco!

Repleto de alegria e de esperanças que brotam destes fatos tão concretos, do Santo Trono do Patriarcado Ecumênico, quando celebramos esta tão importante festa da Igreja, estendemos nossos melhores votos e afetuosas bênçãos patriarcais a todos os filhos, clérigos, monges e leigos, administradores, pequenos e grandes e, sobretudo, àqueles que sofrem tribulações, aflições e adversidades. Ele, o Filho Eterno de Deus que se fez carne por amor a nós, nascido numa gruta e posto numa manjedoura, seja eternamente por nós adorado, agora e sempre. Amém.

 

Fanar, Natividade de 2009.

† Bartolomeu de Constantinopla,
Fervoroso intercessor ante Deus por todos vós.


 
       
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